Boba da Corte
(2027)
Boba da Corte é um projeto que nasce do desejo de olhar para uma geração de filhos e filhas que nasceram de pais pobres, mas que ascenderam socialmente chegando à classe média, e que se deram ao luxo de sonhar. A narrativa é simples: Uma pessoa dá uma festa de aniversário com seus novos amigos da elite, mas é confrontada com a mensagem de uma amiga que se perdeu a caminho da festa e, acidentalmente, foi parar na rua onde a aniversariante nasceu: uma rua de um bairro social. Além disso, ela comemora efusivamente seus 35 anos de idade, pois superou a expectativa de vida das pessoas trans no seu país de origem. Entretanto, ela é confrontada com a idade com que sua mãe morreu, aos 36 anos de vida.
“Ou eu morro esse ano, ou eu vou viver para sempre!”
São essas ansiedades que conduzirão uma narrativa frenética e apaixonada: a das diferenças de classe e da dúvida permanente sobre pertencimento. Com humor afiado, entrega total e olhar impiedoso de uma bêbeda (sobre ela mesma e sobre os outros), a Boba da Corte é tentativa de cura e dedo na ferida, é autoficção e retrato sociológico de uma classe média delirante.
“É muito self-hate, mas também é imenso amor.”

Boba da Corte, Gaya de Medeiros
Direção e Interpretação: Gaya de Medeiros Assistência dramatúrgica: Alex Cassal Músico: Ricardo Almeida Espaço cénico e luz: Tiago Cadete