FUTURΛ Seminário
O trabalho artístico como milieu, o festival como milieu com Anne Kerzerho & Mawena Yehouessi
23—24 outubro 2026
Centro Ciência Viva do Alviela, Alcanena
inserido no fim de semana materiais adversos
Candidaturas abertas através do formulário até 15 de setembro.
FUTURΛ é um convite à reinvenção das práticas curatoriais: um espaço entre pares para imaginar futuros possíveis com coragem, cuidado e abertura ao que ainda está por nomear.
Seminário dirigido a programadores, artistas e agentes culturais, FUTURΛ oferece um espaço de escuta, de intercâmbio crítico e de experimentação, respondendo à necessidade urgente de repensar a prática curatorial na atualidade. A partir de uma perspetiva feminista interseccional, reúne profissionais das artes performativas num encontro dedicado à curadoria enquanto prática artística, política e social.
Ao longo destes dois dias de seminário, exploraremos de que forma a convergência entre processos artísticos, investigação baseada na prática e pedagogias experimentais promove uma abordagem situada e contextualizada das práticas artísticas e curatoriais, convidando simultaneamente a uma reconfiguração das relações entre artistas, produtores e públicos, assente na solidariedade. Num momento de renovadas pressões totalitárias em todo o mundo, interrogamo-nos sobre a forma como as nossas práticas e redes continuam a ser decisivas para fomentar uma capacidade coletiva de construir formas radicais de estar em comum.
Este encontro realiza-se no âmbito de uma iniciativa apoiada pelo Ministério da Europa e dos Negócios Estrangeiros de França e pelo Institut français (PICC), dedicada ao fortalecimento de redes transnacionais de cooperação artística e à experimentação de modelos mais sustentáveis de produção, circulação e apoio à criação contemporânea.
QUEM PODE CANDIDATAR-SE?
Profissionais da cultura, com experiência e/ou prática na área da programação, curadoria, investigação, produção; outras pessoas interessadas.
VALOR DA CANDIDATURA:
100€
– Alojamento (em camarata no Centro Ciência Viva do Alviela, CCVA)
– Refeições
– Seguro de Acidentes Pessoais
– Transporte entre Fátima/Entroncamento e o CCVA – à chegada e à partida (se necessário)
HORÁRIOS:
– 23 de outubro, sexta-feira
15h30—19h00
– 24 de outubro, sábado
10h30–12h30

Anne Kerzerho (FR), Diretora Plataforma Parallèle, pratiques artistiques émergentes internationales.
Ao longo de um percurso profissional dedicado à dança e às artes performativas em instituições de referência, Anne Kerzerho desenvolveu diferentes formas de acompanhamento de artistas, abrangendo a produção, a programação e o desenvolvimento de programas de investigação no campo da dança. Durante quinze anos, contribuiu para o desenvolvimento profissional de novas gerações de artistas coreográficos, primeiro como diretora pedagógica da École Nationale Supérieure de Danse Contemporaine do CNDC, em Angers, e posteriormente no âmbito do programa de mestrado exerce, no CCN de Montpellier. Desde setembro de 2025, é diretora da Parallèle – pratiques artistiques émergentes internationales. Com formação em ciências sociais e estudos de dança, coloca no centro da sua prática a permeabilidade entre as artes e os diferentes campos do conhecimento, bem como entre as artes e a sociedade.

Mawena Yehouessi (FR), Curadora, investigadora, artista
Mawena Yehouessi (n. 1990) é curadora, investigadora e artista, cuja prática e posicionamento ético têm na colagem uma metodologia de emancipação coletiva. Após estudos em Literatura, Filosofia, Gestão de Projetos e Dança Contemporânea, fundou, em 2015, o coletivo Black(s) to the Future, iniciando um percurso situado na intersecção entre arte, investigação e ativismo. Descreve-se como uma «collisionist» (colisionista), explorando as fricções e os encontros entre disciplinas, formatos e narrativas. Em 2024, concluiu o primeiro doutoramento em Investigação Artística da Villa Arson e da Université Côte d’Azur, com uma tese intitulada Poiéticas Afrofuturistas: Tecer Tramas na Intersecção entre a Colagem e a Curadoria. Desde 2025, leciona na École nationale supérieure des Beaux-Arts de Lyon. Concebeu exposições e programas públicos em instituições como Bétonsalon, La Box, Villa Arson, Fondation Ricard e Berghain/LAS, desenvolvendo simultaneamente atividades pedagógicas na Europa e além dela, nomeadamente na HEAD–Genève e na ENSA Paris-Malaquais. Os seus dois primeiros filmes coletivos, Sol in the Dark e Joy Boy, estrearam-se na 72.ª (2022) e na 76.ª (2026) edições da Berlinale, respetivamente. O seu trabalho visual foi apresentado no Beursschouwburg, na Triennale de Dunkerque, na Tanzhaus Zürich, no deSingel e no IAC—Villeurbanne/Rhône-Alpes. Traduziu ainda para francês vários textos de Fred Moten, e os seus próprios escritos foram publicados na e-flux Architecture, ADesk*, Klima, The Funambulist e em diversos catálogos de exposições.