Artistas

Bibi Dória
Bibi Dória (Campo Grande, 1995) artista interdisciplinar, graduada em Dança pela UNICAMP (BR) e associada a Rose Choreographic School (UK) 2024-26. Trabalha na intersecção entre a dança, a performance e o cinema. Reside em Lisboa (PT) desde 2018 onde desenvolve seus projetos autorais, entre os quais nome de filme (2021) e cão de sete patas (2024), e colabora enquanto performer, assistente de direção e dramaturga junto a vários artistas. Entre eles, Bruno Brandolino (UY), com quem divide a performance e criação da obra LA BURLA (2022). Os seus trabalhos permeiam temas relacionados com memória, arquivo, ficção e imaginação.
Sobre a residência
A pesquisa a ser desenvolvida é parte da criação da peça Carnaval na Lama, o último solo que compõe a Trilogia Marginal — uma sequência de trabalhos que investiga a interdisciplinaridade entre cinema, coreografia e performance. Baseados no movimento do Cinema Marginal Brasileiro, ocorrido na década de 1970, e, em especial, na figura emblemática da atriz e protagonista Helena Ignez.

Connor Scott
Connor Scott (Newcastle, 1998) é bailarino, performer e coreógrafo, com base em Lisboa, Portugal. Com raízes nas danças sociais de ballroom, a sua prática debruça-se sobre as qualidades desviantes que a dança pode convocar, explorando de que forma tendências habituais, fisicalidades e normatividades podem ser transformadas em modos alternativos de expressão e empatia. Trabalhando frequentemente a partir da genealogia, do arquivo e do folclore da dança, o seu trabalho centra-se em formas de presença que emergem através de processos de coreografia e colaboração. Enquanto bailarino, participou em trabalhos de Xavier Le Roy, Theo Clinkard, Michael Keegan-Dolan, Thick & Tight, João Dos Santos Martins, Bullyache, Marcelo Evelin, Sofia Dias & Vítor Roriz, entre outros. Em conjunto com Ana Rita Teodoro, é coanfitrião do cabaret experimental Primeira Vez, no Espaço Parasita.
Sobre a residência
Waltzer (título provisório) é um trabalho que explora a força e o conceito da espiral e a sua relação desviante com o tempo e a fisicalidade. Desenvolvido a partir de passos e movimentos de danças sociais que naturalmente potenciam estas qualidades helicoidais, o trabalho desliza entre diferentes formas de incorporação e transformação, explorando a fluidez entre aquilo que é inerente e aquilo que é imposto.

Grilo & Inês Campos © João Pádua
Inês Campos Artista cujo trabalho envolve dança, cinema, música e artes plásticas e explora a relação entre o corpo e o seu lugar simbólico, cruzando o real e o irreal através de um imaginário de realismo mágico. Com a sua última criação fio ^ recebe o prémio de melhor bailarina pela SPA. Para além das suas criações e colaborações artísticas, é co-fundadora das bandas Sopa de Pedra e Tigre, e foca-se atualmente em desenvolver o seu trabalho como atriz na área do cinema.
Grilo Artista sonoro, performer, compositor e poeta, interessado na utopia e na esperança como ferramenta de resistência. É autor de bandas sonoras para dança, teatro e cinema, gravou em mais de uma dezena de álbuns e apresenta-se ao vivo como improvisador, intérprete e cantautor. Estreou recentemente ivu’kar, uma performance multidisciplinar sobre o invisível e o cuidado e publicou um livro homónimo pela editora Sr.teste.
Sobre a residência
Fazer Ideia n.º 3 é a sequela de uma série de performances iniciadas por Inês Campos e João Grilo para espaços não convencionais. Explorando a relação entre o corpo e o espaço simbólico através de uma lente poética e pragmática, convocam questões em torno do desejo e do propósito coletivo. Num gesto contínuo em que corpo, som, texto e ação se entrelaçam, constrõem uma prática de transformação, multiplicidade e imaginação partilhada, que propõe uma experiência participativa.

Luísa Saraiva ©Dinis Santos
Luísa Saraiva é coreógrafa, nascida no Porto, e vive entre o Porto e Berlim. O seu trabalho coreográfico explora a linguagem do corpo e da voz, situando-se na intersecção entre o movimento e a composição musical. Tem desenvolvido uma extensa pesquisa sobre o património oral português com uma perspetiva crítica na relação entre tradição, género e poder. Nos últimos anos tem orientado oficinas e participado em debates sobre saúde mental na dança. É co-directora do festival MULA com Cristina Planas Leitão.
Sobre a residência
A nova pesquisa tenta pensar os processos de produção sonora como modelos de relação dinâmica entre corpo, circulação, reverberação e transmissão. Tomando o Leslie speaker e o orgão Hammond como metáforas coreográficas, nesta residência inicio uma investigação itinerante sobre as relações entre diferentes práticas musicais e formas de fisicalidade associadas.

Marga Alfeirão © Mariana Benenge
Marga Alfeirão (Lisboa, 1994) utiliza os média para criar espaços seguros para a exploração da intimidade e da sexualidade através da dança e da performance. Fortemente influenciada por géneros de dança e texturas sonoras da diáspora africana disseminados pelo tecido social lisboeta, Alfeirão procura uma reivindicação da nuance do que é feminino em colectivo, abrindo espaço para intimidade pública feminina ancorada na sensualidade e olhar femininos. Lounge (2023) recebeu o Prémio 8:tension para Jovens Coreógrafos. No mesmo ano, estreou No Biggie Deal, um solo sobre Notorious B.I.G., o rapper de Brooklyn, partindo do tabloide e da nostalgia para lançar a questão — será o Biggie bissexual? O seu primeiro trabalho de grupo, no c o r a ç ã o dela, estreou em Dezembro 2024, em colaboração com uma equipa de oito artistas, no Sophiensaele, em Berlim.
Sobre a residência
Numa encruzilhada, antes de dar continuidade aos seus projetos de 2027, Marga revisita materiais e colaboradores que têm vindo a influenciar o seu trabalho desde o início. Regressa aos textos, imagens, vídeos e sons produzidos para no c o r a ç ã o dela, peça de grupo estreada na Sophiensaele, em 2024. Um dos temas centrais da peça foi composto por Nidia, produtora e DJ do Vale da Amoreira e pioneira da batida de Lisboa. A partir deste encontro, Marga reorganiza o material coreográfico, revisitando-o através dos elementos produzidos pela equipa e abrindo novas possibilidades para o seu desenvolvimento.

Miguel Bonneville & Sofia Dinger © Joana Linda
Miguel Bonneville é artista transdisciplinar, cuja prática cruza performance, escrita, cinema e artes visuais. Desde o início da sua carreira, tem trabalhado em ciclos e projectos de longa duração, nos quais a investigação conceptual e a experimentação formal se entrelaçam com um profundo envolvimento biográfico. Em 2025, foi distinguido com o Prémio Literário VS – Ernesto Sampaio.
Sofia Dinger trabalha há alguns anos enquanto intérprete e foi criando vários trabalhos autorais pelo caminho. Fez o Mestrado Das Arts em Amesterdão, como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian. Escreve todos os dias. Interessam-lhe muito os fantasmas. Mas são tantas, tantas as pessoas (daí não citar nomes, todas foram importantes). Anda às voltas pelo mundo.
Sobre a residência
Em 2022, Sofia Dinger e Miguel Bonneville iniciaram uma colaboração artística com O Primeiro Sol, uma obra que partia de A Gaivota, de Anton Tchékhov, e das figuras de Nina e Treplev para pensar o desejo, o fracasso e a necessidade de continuar a criar. Desse encontro nasceu um livro que só existiu durante uma noite, mas também um projecto pensado para desenvolver-se ao longo do tempo: quatro actos, realizados com quatro anos de intervalo, em que os dois artistas regressam às mesmas perguntas a partir das transformações entretanto vividas.
Reparar na Queda é o segundo acto deste ciclo. O título vem de um poema de Daniel Faria – “o que dói às aves / não é serem atingidas, / mas que, uma vez atingidas, / o caçador não repare na sua queda” – e convoca o duplo sentido de reparar: prestar atenção e tentar restaurar.
Quatro anos depois, Nina e Treplev já não são os mesmos – Dinger e Bonneville também não. O reencontro com estas duas figuras abre um espaço de investigação sobre aquilo que permanece quando o tempo passa e sobre a forma como olhamos de novo para aquilo que já conhecemos.
(Para o segundo acto, Tchéckov preparou as seguintes entradas:
Nina oferecendo flores e Treplev de chapéu na mão.)

Natacha Campos © Miguel Afonso
Natacha Campos, filha de pais angolanos nascida no final dos anos 90, tem habitado as linguagens da dança, teatro e performance. A sua pesquisa foca no confronto entre o visível e o invisível, o íntimo e o público, numa tentativa de encontrar os denominadores comuns no aparentemente antagónico.
Sobre a residência
Aqui, propõe-se a ir um pouco mais a fundo no conceito de fronteira (é uma linha ou um território? Um lugar onde dois ou mais coexistem ou um não-lugar, não pertencente a ninguém?), propondo-se a habitá-lo entre o cómico e o trágico, o íntimo e o público.

Pedro Barreiro
Pedro Barreiro é um artista que tem desenvolvido inúmeros projectos como encenador, actor, criador cénico, dramaturgista, produtor, programador e curador. Tem-se interessado, nos últimos anos e entre outras coisas, pelo pensamento sobre os actos performativos como geradores poéticos, pela experimentação sobre as convenções constituintes das formas teatrais, e por estratégias de desmantelamento de sistemas hegemónicos na arte contemporânea. Desde 2020 que cria e apresenta ininterruptamente a performance an artist is always working. Foi diretor artístico do Teatro Sá da Bandeira, em Santarém (2015-2017) e colaborou com o Teatro Praga como programador da Rua das Gaivotas 6, em Lisboa (2019-2022). É artista associado do Cão Solteiro, desde 2020. É também membro fundador dos colectivos Sr. João (2010) e Activo Tóxico (2017). É director artístico de O Espaço do Tempo e da Plataforma Portuguesa de Artes Performativas, sendo ainda membro do Board of Directors da European Dance Development Network (EDN).
Sobre a residência
Nesta residência, Pedro Barreiro estará a trabalhar em Escultura, uma das primeiras peças da série The Art Working Series. The Art Working Series é uma série de peças performativas, contextuais e site-specific, regidas pelos conceitos operativos de enquadrar e nomear, explorando diversas variações estéticas na relação entre arte e trabalho, operando também económica e politicamente no encontro entre esses dois campos. Escultura é o título da peça que acontecerá em pedreiras de extração de mármores, calcários ou granitos, onde se poderá observar o corte e a extração de um bloco de pedra de grandes dimensões. O corte e a extração desse bloco de pedra será a performance que os espectadores ali irão testemunhar, sendo a mesma performada pelos trabalhadores da pedreira que ali estarão a realizar a sua actividade laboral quotidiana.

Marina Rei ©Mana Terra
Reina da Mar natural da Serra D’Aire é o alter-ego de uma curadora entre a programação e produção cultural, criação artística e sonora. Investiga as possibilidades da escuta como prática feminista para composição de arquivos, entre-ajudas e afetos. É membro do coletivo Pedreira no Porto e da equipa de curadoria do Festival Tremor nos Açores.
Sobre a residência
Serra Juntas é uma ferramenta em metal que (por vezes) de tanto uso parece estragada, mas funciona, duas varas de aço que se apertam entre si, levam com tanta martelada que se entortam. Crescer na Serra é como um Serra Juntas, levas martelada pareces estragada ficas torta mas acabas por ir funcionando.
Vamos Juntes – Serras Juntas poderá ser um manual de instrução estragado inspirado nos conhecidos livros de bolso – Borda D’Agua.
Através de encontros, mitos, mesinhas, palavras inventadas (ou) esquecida, ruídos e desorientação. Mergulhando no subterrâneo da atenção ao nevoeiro do hiper-estímulo para questionar, mapear significados e memórias Serranas.