MD ❦ BONS SONS
Numa parceria de programação que decorre há vários anos, a Materiais Diversos e o BONS SONS desenvolvem uma colaboração contínua que cruza música e artes performativas, promovendo uma programação partilhada e em diálogo.
Na edição de 2026 do festival BONS SONS, que decorre entre 6 e 9 de agosto, em Cem Soldos, a Materiais Diversos apresenta Conto Preto, de Nala Revlon, e Fazer Ideia, de João Grilo e Inês Campos.
Conto Preto, de Nala Revlon
6 de agosto 2026, 17h40, 40′
Espaço junto à zona MPAGDP (Música Portuguesa a Gostar dela Própria)
Conto Preto é uma obra coreográfica que entrelaça as espiritualidades do Candomblé com a força identitária da cultura ballroom, criando um espaço de evocação, celebração e resistência de corpos negros e queer. A partir de ritmos sagrados como ijexá, atabaque e agogô, som, corpo e memória tornam-se meios de comunicação com os orixás e a ancestralidade. No encontro com a ballroom, surge uma ritualidade contemporânea, na qual cada performance é um gesto político de afirmação. Interpretado por três artistas da cena portuguesa, Conto Preto celebra a identidade e a arte como espaço sagrado. — Nala
Direção artística e criação: Nala
Interpretação e cocriação: Nala, Igor Silva (Flawless), Malia Imaan
Desenho de luz: Ana Carocinho
Apoio à dramaturgia: Piny
Assistência coreográfica: Salomon Mpondo Dicka
Sonoplastia: Leo Soulflow
Figurino: Rafaela Tomás
Produção: VAI
Produção em tour: Ana Tomás Lopes
Coprodução em residência: Pensamento Avulso_QUINTA
Apoio: Oukupa, Jazzy Dance Studios Santos
Nala Revlon é performer, coreógrafa e produtora luso-brasileira. Desenvolve o seu trabalho na cultura ballroom desde 2017, com especial enfoque na categoria Vogue Fem. É Mother da Iconic House of Revlon em Portugal, jurada, formadora e intérprete, distinguindo-se na cena ballroom internacional. É cofundadora do Vogue PT Chapter e fundadora da Pump The Beat, plataforma de clubbing queer dedicada à comunidade, criação artística e visibilidade LGBTQIA+.

© Pedro Jafuno
Fazer Ideia, de João Grilo e Inês Campos
7 de agosto 2026, 17h40, 30–45′
Espaço junto à zona MPAGDP (Música Portuguesa a Gostar dela Própria)
Ciclo de performances multidisciplinares (site-specific) desenhadas para habitar espaços não convencionais. Entre texto, gestos coreografados, lipsync, música ao vivo e ações simbólicas, propõe uma coreografia social onde público e performers, em diálogo com o lugar e o contexto, partilham tempo, escuta e presença. Refletem sobre o trabalho coletivo, os desejos comuns e a delicadeza como força, estruturando-se frequentemente a partir de textos diarísticos em forma de carta, num gesto contínuo onde corpo, som, texto e ação se entrelaçam numa prática de transformação e imaginação partilhada.
João Grilo & Inês Campos colaboram desde 2017 na criação de diferentes formatos e objectos artísticos entre coreografia, poesia e música, desenhados para o palco e espaços não convencionais. Insistindo num discurso colectivo pela paz e numa lentidão deliberada como forma de resistência, refletem sobre a natureza da existência, das emoções e das relações humanas. Exploram lugares quase invisíveis do som, comentam o subliminar, põem os olhos na coreografia para cantar e o corpo na partitura para se moverem.

© Bruno Caracol